sábado, 8 de agosto de 2009

Pais, filhos, finais de semana e feriados

As frases que você mais ouvirá, amiga separanda-com- filhos, serão: “ele é pai, tem direito, é bom para as crianças” ou, ainda, “você terá um tempo para você , é jovem, namore”.
O seu ex pode ser um canalha notório que, mesmo assim, você ouvirá isso; os seus filhos podem não querer visitar o pai e, adivinhe: você vai ouvir isso; você pode estar de coração totalmente partido, sem condição nenhuma de namorar, de se relacionar com alguém, e ouvirá isso de amigos e parentes.
E, então, se sentirá sozinha.
Neste ponto, quero dizer a você, querida amiga ou amigo, parente ou ente querido de uma separanda-com-filhos: Não dê conselhos, não julgue – por que a próxima ou próximo pode ser você: por praga minha, sobretudo.
Se você puder, dê um ombro, ouça, dê um sorriso, convide a sua amiga para tomar um sorvete – de preferência pague por ele – e se tiver algo a dizer, repita, jure, garanta e pode até citar o meu nome como fiadora: vai passar, vai passar.
Só isso.
Conselhos legais? Indique um bom advogado, amigo seu. Advertências de conduta ou emocionais? Deixe para o psicólogo ou psiquiatra. Dizer verdades, as suas verdades, ou impor os seus valores? Limite-se a contar as suas histórias pessoais, sem comparar-se. Tentar usar a sua amiga ou irmã de escada para tentar se sentir uma pessoa melhor? Vá você mesmo, melhor correndo, ao psicólogo ou ao psiquiatra.
Quanto a mim e a meu ex, as nossas mágoas, a nossa raiva mútua, atingiu as crianças muitas vezes, mais vezes do que eu gosto de lembrar e perceber.
Em muitas ocasiões os meus filhos voltaram sujinhos, sem banho, porém suados e bem. Em outras, vieram quietos, com sombras no olhar, ou raivosos, cansados de carregar as misérias dos adultos.Muitos recados, endossados pela mágoa e pelo despeito, recebi, pelos meus filhos, vindos do meu ex e da ex-sogra; a nenhum desses respondi - com muita ajuda da terapia. E eu, embora procurasse não perguntar da vida de meu ex pelas crianças, o meu rosto, a minha voz, a minha energia, eram todos medo e dúvida.
Os nossos reencontros, meus com os meus filhos, em muitas ocasiões, demoravam dias, semanas, porque demoravam dias e semanas para que meus filhos acomodassem tristezas, frustrações e aprendessem a viver sob a guarda de valores tão diferentes.
Como não é raro acontecer, com o passar do tempo - e a diminuição da resistência materna - as vistas, os pernoites tornaram-se menos numerosos: os papais redescobrem a noite e os prazeres da vida.
Também os primeiros natais sem eles foram tristes, vazios, como vazios foram os finais de semanas - por alguns anos! - sem crianças, sem bagunça, sem barulho. Quem eu era, quem eu sou, quando não sou mãe? Qual porção, dos meus sonhos, dos meus objetivos, dos meus projetos, não corresponde à felicidade exclusiva dos meus filhos? O que eu gosto de fazer, onde ir, o que falar, com quem falar, sem ser mãe? O que os meus filhos querem, a despeito da minha vontade e a do pai? Acho que essas são as grandes perguntas, "AS PERGUNTAS", as que podem conduzir a uma maior felicidade para todos e trazer mais paz para o coração dos filhos.
E, veja, as minhas crianças não morreram de fome, não apanharam nenhuma doença grave e esquisita por falta de higiene, não foram esquecidas em um parquinho, totalmente desagasalhadas, tendo que se alimentar de meleca de nariz para sobreviver, e, tampouco, foram vendidas pelo próprio pai para um argentino, no shopping, como eu psicoticamente imaginava.
Portanto, houve dor, sim, até eu descobrir, de verdade, que a convivência com o pai poderia “ser boa para as crianças” - quando essa fosse a vontade deles, a dos filhos - ou, ainda, que eu teria, sim, um tempo para mim, que eu era mesmo jovem, e que, um dia, voltaria a namorar...

2 comentários:

  1. No seu livro reserve algumas linhas do prefácio para mim, não sei se serei famoso, então aproveite enquanto não sou...rsrsrsrsrs

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  2. Amiga,estou gostando muito do que leio,muio mesmo. E continuo dizendo vai passar, vai passar, rsrsrsr....GRAÇAS À DEUS, ufaaaaaaaaaaaaaa.........

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