Estamos eu e meu padrinho de casamento aguardando o grande momento. Eu estou muito nervosa, inclusive com a minha aparência, será que estou bem? Claro que não, mas pareço bem? Provavelmente não. É verdade que estou mais magra, tentei este tempo todo, melhorar a aparência – aparelho e lentes de contato. Eu estou toda de branco porque - pelo sim ou pelo não - esta cor já me deu sorte. A minha casa já está pronta, toda reformada. Eu sinto que os meus amigos e minha família torcem por mim. Eu noto as minhas unhas e ai! Esqueci de fazer as minhas unhas. Será que vai dar tudo certo? Creio que sim. Vida inteiramente nova para mim. Estou com medo, como toda moça em minha situação deve estar. Olho para baixo, acabou o assunto entre o meu padrinho de casamento e mim. Meus joelhos tremem, meu corpo todo treme. E ele já chegou, sempre pontual, e também parece nervoso.Preocupo-me, estou bem? Já me viu, mas não sorri para mim e nem eu para ele, mas que bom que veio, penso, muito ansiosa. Estamos todos solenes e o Juiz anuncia o início da cerimônia. Estamos todos prontos.Final Feliz.
Prontos? Final? Feliz? A sala era de audiências. O Juiz , era o da Vara de Família.O meu ex-padrinho de casamento (será que padrinho também é ex?), foi o meu advogado. Eu estava mais magra porque estava sofrendo muito e “ele” era quem, então, se tornaria o meu ex-marido, sob as bênçãos, agora, dos homens.
Acabou a audiência, filhos devidamente acomodados sob a guarda da nave mãe, dívidas para mim, obrigação de pequena pensão para “ele”, mais visitas de quinze em quinze dias, e, é claro, “móveis e guarnições da casa para a cônjuge varoa”. O olhar magoado de sempre, a cônjuge voltará a usar o nome de solteira – o que, na verdade, nunca mais voltará a ser: a varoa agora é uma divorciada, com filhos e muitas dívidas.
Depois da guerra, eu pensei, vem, só pode vir a reconstrução, certo? Errado para mim. Havia – e ainda temo que há - tanto a destruir em minha vida que aquele era um insipiente começo.
Não volto de carro para casa ou para encontrar com as amigas ou, talvez, com um novo amor.O meu eu de agora, tem quase trinta e tantos anos cansados, apanha o próximo ônibus e volta para o trabalho para não perder a produtividade. Meu chefe me olha entre aliviado e esperançoso de não ver mais os olhos vermelhos de chorar ou ter de ouvir os meus pedidos de trabalho extra por que eu estou, definitivamente, sem dinheiro. À noite volto para casa, para os meus filhos, cansada, triste, com esperança ou sem, não me lembro. Só me recordo de ter acordado no outro dia e ter percebido que nada tinha mudado muito, talvez algumas obrigações a mais, e um medo que começava a crescer no meu peito, pensando na primeira vez em que os meus filhos pequenos iriam dormir longe de mim...
Amiga estou sem folêgo...simplesmente fantástico.
ResponderExcluirLindo, inteligente! Estou muiiiiiiiiiiiito orgulhosa! Te amo!
ResponderExcluirDá um belo livro...
ResponderExcluir